Campeão de vôlei de praia, Evandro foi alvo de ofensas racistas antes da semifinal na Argentina, e o COB já denunciou o caso às autoridades locais.
Para o atleta olímpico Evandro, a recente conquista da medalha de ouro nos Jogos Sul-Americanos, em Rosário, na Argentina, veio acompanhada de uma sombra lamentável: ataques racistas que sofreu nas redes sociais antes da semifinal da competição. O jogador de vôlei de praia, com três participações em Olimpíadas e um título mundial em 2017, utilizou suas plataformas para exigir investigação e punição aos responsáveis.
A denúncia do racismo sofrido por Evandro ganhou repercussão rapidamente, mobilizando entidades importantes do esporte brasileiro. O Comitê Olímpico do Brasil (COB) e a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) repudiaram veementemente as ofensas e manifestaram apoio ao atleta. O caso já foi formalmente denunciado às autoridades argentinas pelo COB.
Evandro e sua esposa, Ana Gomes, destacaram a inaceitável normalização do racismo, enfatizando que ele é um crime e não pode ser tolerado como parte do jogo ou simples provocação. A mobilização visa não apenas a justiça para o atleta, mas também a proteção das futuras gerações de esportistas.
Detalhes dos Ataques Racistas contra o Atleta Evandro
Os ataques aconteceram antes da partida semifinal de vôlei de praia contra a dupla argentina Nicolás e Tomás Capogrosso. Uma entrevista de Evandro publicada em um veículo de comunicação local nas redes sociais foi inundada por comentários de cunho racista, incluindo emojis e xingamentos. Horas após a repercussão negativa, a publicação com os comentários foi apagada.
Apesar do impacto emocional, Evandro, de 36 anos, e seu parceiro Arthur Lanci mostraram resiliência em quadra. Eles venceram a semifinal de virada, com parciais de 14/21, 21/16 e 17/15, em menos de uma hora de jogo, garantindo a vaga na final. No dia seguinte, a dupla conquistou o ouro ao derrotar os venezuelanos Delgado e Vargas por 2 sets a 0 (21/15, 21/17).
Ação do COB e da CBV contra o Racismo no Esporte
Diante da gravidade dos ataques racistas, o Comitê Olímpico do Brasil agiu prontamente. Antes mesmo da disputa pela medalha de ouro, a Missão brasileira alertou o delegado das partidas sobre possíveis incidentes. Além disso, o COB enviou a responsável pela área de Esportes Seguros da instituição para tomar as medidas cabíveis.
Por meio de nota, o Comitê informou ter encaminhado uma denúncia formal à Fiscalia, órgão do Ministério Público Fiscal da Argentina, encarregado de investigar esse tipo de ocorrência. "Não há lugar para manifestações racistas, discriminatórias ou de qualquer natureza que atentem contra a dignidade de atletas e de qualquer pessoa envolvida no Movimento Olímpico. (...) O COB manifesta sua solidariedade a Evandro e reforça que racismo não é opinião. É crime e deve ser enfrentado
